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O Argumento Kalam e Múltiplas Causas para o Universo

Tradução: Snowball

Olá Dr. Craig,

Eu estive lendo seu livro, The Kalam Cosmological Argument, e, como sempre, achei o argumento bastante persuasivo. No entanto, eu estive pensando em como você responderia a crítica das “múltiplas causas”? É possível que haja mais de uma causa eficiente para o universo?

Saudações,

Doug


Resposta do Dr. Craig

Eu devo confessar que eu nunca senti a força dessa objeção, Doug. Ela me lembra a objeção ao Argumento Teleológico de que esse só prova um Designer do Universo e não necessariamente um Criador. Se as pessoas realmente pensassem que havia um Designer do Universo, eles estariam de mente aberta e impressionadas com essa possibilidade, não reclamando que ele pode não ser o Criador também. Similarmente, reclamar nesse caso que nós não sabemos na base do Argumento Cosmológico Kalam se o Criador pessoal do Universo é único ou não parece uma completa trivialidade perto do que o argumento prova. Alguém que esteja buscando a verdade achará aqui não uma falha do argumento, mas um incentivo para posterior investigação

Se alguém pudesse provar que a causa de origem do Universo é onipotente, então eu penso que esse alguém poderia fazer, com sucesso, um argumento para unicidade da causa com base em que uma pluralidade de seres onipotentes é impossível. Mas não está muito claro para mim que a causa do Universo deve ser onipotente. Talvez caiba aqui um argumento de creatio ex nihilo – Duns Scotus argumentou que desde que há uma distância infinita entre ser e não-ser, então seria necessário poder infinito para criar a partir do nada. Ele poderia argumentar que não é possível haver um poder maior do que o poder de criar ex nihilo. Eu acho esse argumento atraente, embora eu não esteja totalmente convencido. Então essa é uma área para ser explorada mais tarde.

O Argumento Kalam claramente não é consistente com a existência de um grupo de deidades jogando uma com as outras antes da criação do mundo, visto que os argumento nos leva a estado que, penso, é atemporal. Imaginar um grupo de mentes atemporais e incorpóreas agindo de alguma forma juntas para criar o mundo nos leva bem perto de algo como a doutrina da Trindade. Um visão trinitária (ou unitária) de Deus parece muito mais plausível que um politeísmo com vários deuses existindo independentemente e atemporalmente e agindo juntos para criar o Universo.

Dito isto, também me parece que um proponente do Kalam pode justificadamente apelar para a Navalha de Ockham: não devemos multiplicar causas além da necessidade. Alguém está justificado em postular causas somente com o necessário para explicar o efeito. No caso da origem do Universo, apenas um Criador pessoal e transcendental é necessário, então seria desnecessário postular mais.

Além disso, podemos lembrar que nosso caso cumulativo para o teísmo e a qualidade de Deus de ser único é dado por outros argumentos do caso, como o argumento Leibniziano da contingência, o argumento moral e o argumento ontológico. Mais: nós temos boas bases para acreditar nas afirmações radicais de Jesus de Nazaré de ser a revelação decisiva de Deus, e Jesus ensinou o monoteísmo: “Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é único.”

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