Objeção de Dan Barker Contra o Argumento Kalam

Tradução: Snowball

Caro Dr. Craig,

Eu aprecio muito do trabalho que você tem feito, e acho que o argumento Kalam é realmente muito persuasivo. Mas uma dúvida continua. Ela tem a ver com a idéia de uma falácia de raciocínio circular no argumento Kalam sugerida pelo ateu Dan Barker.

Ele diz que o argumento passa a ser circular se entedermos a premissa dessa forma: Há duas categorias de coisas. Aquelas que tem início, e aquelas que não tem.

O comentário de Barker é que se o último grupo tem apenas um mebro nele, então vira um sinônimo para Deus, e iria requerer uma adição de algum outro membro nessa classe para escapar do raciocínio circular.

Sinceramente,
Dave


Resposta do Dr. Craig

Se esse é realmente o argumento de Barker, então ele precisa voltar para sua planilha. A primeira premissa do argumento cosmológico kalam é:

1. Tudo que começa a existir tem uma causa;

A sentença que você citou não diz absolutamente nada sobre a necessidade de coisas que começam a existir possuirem uma causa. Então, essas premissas não sinônimas. Se você substituir a (alegada) premissa de Barker por (1), então o argumento cosmológico Kalam passa a ser patentemente inválido. Da premissa de Barker e

2. O Universo passou a existir;

não iria seguir que:

3. Logo, o Universo tem uma causa.

Então é óbvio que a proposição substituta tem um significa diferente que (1).

De fato, a (alegada) premissa de Barker é só uma aplicação da Lei do Excluído do Meio: (A ou Não-A). Ou uma coisa começa a existir ou não começa a existir. Como essa verdade lógica necessária pode ser petição de princípio? Eu suponho que poderia ser se você estivesse tentando provar a própria Lei, mas esse obviamente não era o objetivo.

Agora, para a alegação que se Deus é o único membro da classe de coisas que não começaram a existir, então “qualquer coisa que não começou a existir” passar a ser sinônimo para “Deus”, então essa é apenas uma confusão entre sentido e referência. Se Deus é o único mebro da classe de coisas que não passaram a existir, então a duas expressões tem o mesmo referencial, isto é, elas duas atingem o mesmo objeto. Mas isso de nenhum modo mostra que as duas expressões tem o mesmo sentido. Se elas tivessem, então ao saber que uma das sentenças é verdadeira, você saberia que a outra também é automaticamente, o que obviamente não é o caso.

Finalmente, me parece que (pseudo-)Barker está pegando sua premissa substituta como uma afirmação de existência. Ele parece pensar que ela nos obriga para a existência de coisas que começam a existir e para Deus, o que, ele pensa, cria um raciocínio circular para Sua existência. Isso é falhar em entender sua própria premissa. A partícula “há” [there are] nos obriga, no máximo, para a existência de classes (ou como ele põe, categorias). Mas a classe de coisas que não tem início poderia ser vazia. Então não há nenhum compromisso com a existência de Deus. Em todo caso, se houvesse tal compromisso, adicionar outro membro para a classe não faria a questão ficar menos circular, já que você ainda estaria pressupondo a existência de Deus.

Eu penseo que a partícula “há” [there are] na sua premissa é apenas um estratagema retórico. Essa premissa deveria ser entendida como a afirmação de que “Ou uma coisa tem início ou ela não tem”. Isso é chamado de uma sentença universalmente quantificada [OBS: que é válida para para todas as coisas], e ela não leva para nenhum compromisso de existência.

Essa objeção é tão ruim que eu não posso fazer nada a não ser pensar se você não entendeu mal ele.

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